Nesta semana (16 a 19 de maio), trabalhadores e representantes do Banco Itaú se reuniram no Centro Judiciário de Solução de Conflitos da Zona Sul (Cejusc-Sul), em São Paulo-SP, para a realização da primeira etapa de sessões conciliatórias envolvendo a empresa. A instituição financeira levou para as mesas de conciliação do Fórum Trabalhista da Zona Sul 122 processos, de 1ª e 2ª instâncias, a maior parte deles referindo-se a horas extras e adicional de periculosidade.

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Na imagem acima, uma das mesas de conciliação

Nessa fase inicial (de 16 a 19/5), foram pautados 67 processos e houve acordo em 23 deles, como no caso da bancária Helena. Com o auxílio do advogado, a ex-funcionária conversou com os membros do departamento jurídico do Itaú e encerrou o processo. Para ela, participar da sessão de conciliação foi uma experiência valiosa. “Eu estou fechando acordo para encerrar um ciclo. Não era o valor que eu gostaria, mas quis fechar, porque é a nossa chance de colocar as cartas na mesa”, disse. No total, serão repassados aos trabalhadores R$ 6.564.893,00. 

Por meio de levantamento feito em parceria com o setor de Estatística do TRT-2, o Cejusc-Sul identificou os maiores litigantes e propôs a conciliação como instrumento para que se chegue a um acordo. O Itaú aceitou a proposta, pois “é um jogo em que todos ganham”, segundo Diego Vilhena Gonçalves, representante da empresa. “Para o banco é um processo a menos, com custos menores, e a parte consegue antecipar os valores, até por questões pessoais, principalmente nessa época de crise”, explicou Gonçalves.

A semana foi marcada ainda pelo uso da tecnologia a serviço da celeridade processual. Pela primeira vez no Cejusc-Sul, um acordo foi negociado via WhatsApp. Por meio de um grupo no aplicativo, o ex-funcionário que estava na África do Sul teve seu caso solucionado. A advogada do trabalhador, Mariana Lameze, elogiou a iniciativa: “Graças ao Cejusc, foi possível a efetiva homologação por WhatsApp, porque sem reclamante não conseguimos fazer acordo”.

Na primeira semana de junho, acontecerá a segunda rodada de sessões do Itaú, quando serão pautados os 55 processos restantes. A expectativa é que os índices de comparecimento e de acordos da primeira etapa se repitam. “O sucesso é grande. Temos recebido feedbacks positivos, inclusive quando não tem acordo, porque as pessoas têm a oportunidade de conversar e depois voltar para firmar [o acordo]”, declarou o juiz Frederico Alves Bizzotto da Silveira, responsável pelas atividades do Cejusc-Sul.

Na Semana Nacional da Conciliação Trabalhista (22 a 26 de maio), o Cejusc-Sul intermediará o diálogo em processos movidos contra outra empresa do setor financeiro, o Banco Votorantim.

Texto: Joyce Farias; Fotos: Allan Lustosa – Secom/TRT-2